Panegírico a Vésper

"... queime e faça-me novo"

John Donne

Oh! Vésper celeste! Em sua postura ereta, fálica e vúlvica: andrógina, versão inovada da "ankh" egípcia, símbolo da eterna ressurreição, símbolo da energia masculina e feminina; do material e do incorporal; do real e do virtual. Vésper andrógina, meio macho, meio fêmea, meio esperma, meio óvulo; mudra feminino reverso sobre a cabeça, portal cósmico para o multiverso, portal da vida, portal da luz, membrana parideira de novos mundos; oh! Vésper esplendorosa! Com o fogo inteligência sobre a testa, fogo tecnológico e libertário, Vésper prometeica na trajetória histórica inexorável do fogo ao mouse digital; deusa da tecnologia, deusa metamórfica, na ponta do mundo, na ponta dos dedos, plataforma para seu mergulho cósmico como estrela da tarde e como estrela da manhã: PHOSPHOROS = HESPEROS, Vésper solar (dourada) e Vésper lunar (prateada), mas também Vésper como Hespérides: múltiplo de três, de sete, de muitos, como ninfas guardiãs da imortalidade e dos pomos fáusticos no extremo do mundo. Oh! Vésper crepuscular! Inimiga das górgonas, amiga das amazonas, Vésper bélica, guerreira, arqueira sem seios, flecheira radiante; oh! Vésper luzeira! Com braços de pé, com as mãos ao alto, toda nua, pura, na forma de estrela tetra-penta-hexagonal, esconderijo da deusa do amor. Vésper estelar titânica com pés em abraço sobre o atlas do mundo, sobre o atlas do céu, não mais o peso, não mais o verbo, mas o eterno sentido da luz.
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